Tribuna de Petrópolis

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Jac, uma personalidade

Por: Joaquim Eloy dos Santos - Escritor
11/07/2017
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Uma biografia bem detalhada diz tudo. Ou quase. Às vezes, não revela nada, porque a alma passou bem longe e o sentimento nem se fala, eclipsou-se no excesso das palavras frias que a compõe.

Nasceu, se viveu, aí está. Faleceu? Pronto, completa a biografia. Nada para acrescentar.

Conheci um cidadão brasileiro de alma grandiosa quanto amiga e leal. De sua biografia sei pouco e sobre ele devo reunir lembranças para compreender sua trajetória por aqui.

Lembranças, sim, nada de promoção autobiográfica usando a presença em vida de acontecimentos e fatos vividos, para falar de mim e minhas conquistas. Se assim o fizer confundo a minha rememoração com a autopromoção, tão a gosto dos egos ciscadores de atenção,

E, relembrar José Augusto Carneiro é missão que exige muita emoção e respeitoso carinho. Nada gratuito, portanto, se o desejo é falar da alma em sentimento humano elevado e perfeito.

É do Padre Jac, do mesmo Jac colunista em nossa imprensa, radialista, promotor de encontros de lazer social e homenagens, que falo, no instante do encerramento de sua missão aqui no planeta.

Seu dom maior era ser agregativo, reunir as pessoas em torno das causas nobres e justas. Fe-lo pela imprensa, promovendo seus amigos e discutindo os problemas sociais e homenageando aos de merecimento, colocando a todos na coleta do melhor sentimento da ajuda ao próximo, destinando o produto financeiro das suas promoções ao dispor dos necessitados. A sociedade colaborava. Os dias eram mais felizes.

Pelas ondas das rádios, informava, instruia, ajudava, sempre pronto ao arregaçar das mangas na luta contra a pobreza do desamor.

Certo que um dia, em sua reflexão para os objetivos da vida, matriculou-se no seminário. A meta: ser padre, ampliando os horizontes de seu mundo dedicado ao próximo. Nasceu ai o Padre Jac, vindo de brilhante curso e pronto para levar a palavra de Deus à amplitude da verdadeira confraternização entre as criaturas humanas. Pároco da catedral, que honra! Que missão! Continua o mesmo, agora mais sábio. Assume novos microfones nas rádios, cria o informativo da catedral, onde escreve com talento, e retorna com sua homenagem aos petropolitanos de merecimento sob a mesma missão de benemerência.

Assume a paróquia de Nogueira, caminho divino que enriquece sua missão e enobrece a localidade, no dinamismo do mesmo jovem que vinha dos idos do século findo.

O fim. Inexorável fim, também para ele chega. Parte e sua obra e personalidade doura a nossa melhor história.

Não vale aquele sorriso ou a exclamação em voz alta pelo que vou narrar. Retirei o fato (parece que o contemplo) de sua própria personalidade, como uma completa biografia, para encerrar este momento de saudade. Vale, sim, saber de sua chegada ao Céu e nem bem se apresentando a Deus, dele ouvir:

Padre Jac, aqui no Céu nada de escolher as personalidades do infinito.

Por que, Senhor: Eu pretendia.

Nada disso. Não pretende nada! Padre Jac, daqui do Céu séculos e séculos vos contemplam E aqui todos são personalidades.

Mas, Senhor,

O homenageado é você que se incorpora ao Céu junto aos justos e bons que fizeram o melhor por todos os séculos e séculos, amém. O diplomado, hoje, é você. Tenho dito!

Disse.