Tribuna de Petrópolis

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O corrupto Sérgio Cortes

Por: João Roberto Gullino - Honorário da APL
18/04/2017
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Conheci o médico Sergio Cortes – hoje presente na mídia por sua falta de caráter e escrúpulo na carreira abraçada, quando medicina se destina a salvar vidas e não roubar o direito que as pessoas têm de viver – deixou cair a máscara ao expor suas mazelas - detalhe que eu já sabia desde 2001.

Na ocasião, Oscarino de Souza, humilde marceneiro e grande profissional, com habilidade de reproduzir, com perfeição, qualquer móvel antigo, por uma fatalidade, teve rompido o osso de apoio da prótese do fêmur, problema que só poderia ser corrigido no Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia do Rio de Janeiro, cujo diretor era Sérgio Cortes. Após 60 dias sem atendimento (prontuário 29.217), um jornal publicou minha carta de protesto. Em poucos dias, veio a “contestação” desmerecendo meu texto. Compareci ao hospital para esclarecimento, quando me impediram de falar-lhe. Diante de minha revolta, a secretária agendou-me para o dia seguinte, às 10h. Persistente, lá esperei até as 15h30 quando, diante de reclamações, me recebeu e seus argumentos não me convenceram, como não me convenceram os dois “supostos” médicos que estavam em seu gabinete e que nada falaram em sua defesa, portanto...

O assunto continuou sem solução até que, externando minha preocupação diante de amigos, o prof. Roberto Francisco se prontificou a recorrer ao filho, então deputado. Forneci-lhe os dados e, em poucos dias, seu assessor, sr. Norberto, visitou Oscarino em sua casa e entrou em contato comigo para encetarmos um esquema de controle. E, toda vez que falava com a secretária, vinha a mesma “ladainha” de que ele estava bem referenciado e, tão bem, que a espera, entre visitas, se estendeu por três anos, impossibilitando-o de se locomover com muletas pois o osso quebrado já rasgava a carne – num sofrimento atroz. Quando foi chamado para a última consulta, deram o diagnóstico final – tarde demais para cirurgia. Seis meses depois recebi a notícia de seu falecimento.

Homem humilde, como milhares de outros, por demais prestativo, muito sofreu por desleixo de um ser desprezível, mesmo considerando que Sérgio Cabral tudo fez para colocá-lo como ministro da Saúde no governo Dilma. Se Oscarino cometeu algum pecado na vida – apesar de morar numa comunidade no Rio Comprido, conseguindo criar oito filhos e dois sobrinhos, sem que algum se transformasse em marginal ou prostituta – tinha muito mais dignidade e caráter que esse verme asqueroso e que deve envergonhar toda a classe médica diante de tais falcatruas, que mais merece a pena capital ou o abandono numa ilha isolada para se penitenciar diante da sociedade, como os demais corruptos que tanto infestam nosso país, como se ratos fossem. 

jrobertogullino@gmail.com.