Tribuna de Petrópolis

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A empresa e seus percalços

Por: José Afonso B. de Guedes Vaz - Advogado e membro da APL
13/09/2017
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A trajetória nos demonstra a propósito de dois dirigentes relativamente a uma “grande” empresa; o primeiro, tendo deixado o comando em razão do que quedou apurado, por não ter bem conduzido os destinos da firma, em face da prática de deslizes que teriam ocorrido, os quais acabaram por lhe comprometer; o segundo, bom negociador o qual, após longas discussões com seus sócios, acabou por ser alçado à presidência da quase falida entidade, depois da realização de uma assembleia repleta de ofensas e atitudes do gênero.

Ocorre que o Conselho Fiscal da mesma, permanentemente reunido, “e de olhos muito abertos”, em determinado momento decidiu, também, pela “cabeça” do segundo; inconformado, fez reunir a sociedade, diga-se de passagem, composta por muitos sócios, e após nova assembleia, acabou por convencer os acionistas que as atitudes até então adotadas à frente dos negócios da empresa visavam, evidentemente, o seu equilíbrio financeiro. 

Todavia, e não demorou muito eis que um amigo próximo desse mesmo dirigente foi flagrado com a “boca na botija” quando carregava uma mala de dinheiro que, até o momento, se desconhece onde foi parar o conteúdo, fato que influenciou, negativamente, a recuperação da sociedade.

O ambiente, até aquele ensejo, aparentemente tranquilo, voltou a esquentar, já que o presidente do Conselho Fiscal, atento às contas da administração, não deixava em paz o dirigente da mesma.

Transcorridos alguns meses num clima tenso e sempre a predominar palavras contra o citado presidente, eis que ainda surgiram, no contexto, exatamente com a finalidade de interferirem nos negócios empresariais, dois canalhas, proprietários de uma grandiosa organização, a qual, segundo consta, obteve empréstimos perante um banco onde ambos tinham bom acesso, tudo para contentamento dos dois “vivaldinos”.

A partir daí o “leite derramou” e aquele que se vira quase só, mais uma vez, foi salvo por seus companheiros, sempre solícitos com a figura do chefe.

Ocorre, entretanto, que o auditor exigente, firme em suas convicções, não “largava dos pés” do dirigente da empresa e, agora, também dos irmãos calhordas, já que estes últimos andaram por falar demais, inclusive com referências injuriosas a uma das mais importantes e respeitadas organizações do país.

A situação, em consequência, se tornou ainda mais delicada e o pior é que, em jogo, o conceito da pessoa jurídica, já que alguns de seus diretores e ex-diretores, também se viram envolvidos em confusões, sendo que um deles acabou por “deixar escapar” o que por ele teria sido “guardado a sete chaves”, ou seja, um “bolão” de dinheiro, embora negue, terminantemente; evento criado e a prejudicar a já abalada imagem de muitos, em especial a da empresa sob o comando do segundo dirigente.

A grande verdade é que todos nós, que participamos na qualidade de meros e perplexos “acionistas” da entidade sob comento, que acolhe todo o povo brasileiro, ficamos na expectativa de que essa epopeia termine logo, mediante o surgimento de horizontes mais promissores para tantos que ainda acreditam no sucesso do empreendimento e só o veem, infelizmente, a “andar de lado”, quiçá à beira da falência, agora, mais ainda, com a “colaboração” de dois indivíduos que, sequer, merecem comentários.