Tribuna de Petrópolis

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As cerejeiras em Petrópolis

Por: Ataualpa A. P. Filho - Escritor
06/08/2017
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Um dos assuntos mais comentados na semana que passou, até ganhou destaque nos jornais locais, está relacionado à beleza da florada das cerejeiras em nossa cidade; as que foram plantadas às margens do lago do Quitandinha viraram atrações turísticas. Na manhã ensolarada do domingo (30/07) com um lindo céu azul, as cerejeiras floridas realçaram a paisagem. Como neste ano, o inverno começou com temperaturas baixas e muita unidade no ar, tais fatores contribuíram para que florescessem magnificamente. 

Para consolidar o que já se denominou de “circuito das cerejeiras”, é preciso incentivar o plantio de mudas não somente pelo poder público, mas também pelos moradores. Mais uma vez a natureza deu uma bela lição: quando preservada, todos são beneficiados.

Houve um período em que as hortênsias embelezavam as margens dos rios que banham a cidade. Hoje, diante da poluição, raramente as encontramos. Ficou apenas a perífrase: “Cidade das Hortênsias”. Não podemos esquecê-las...

A responsabilidade da preservação da paisagem natural do Município não é somente do poder público, é também da população. Os governantes passam. Nós, munícipes, temos a nossa parcela de contribuição: além de exigir uma cidade limpa, temos que colaborar para mantê-la. 

Fui ao lago do Quitandinha para ver as cerejeiras. Realmente estavam deslumbrantes. Apesar do grande movimento de turistas e moradores em torno do lago, deu para perceber que as abelhas, os beija-flores, os sanhaços, os periquitos também se deliciavam. Só não gostei de ver um cidadão quebrando os galhos das cerejeiras para levar para casa. Imagine se todos fizessem o mesmo! Não teríamos flores...

Por uma questão de reconhecimento e de registro histórico, é importante frisar que as primeiras mudas de cerejeira (sakura), nas margens do lago citado, foram plantadas em 1995, quando se comemorava os 100 anos da assinatura do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação entre Brasil e Japão. Na época, elas também foram plantadas no Museu Imperial e no Palácio Rio Negro. Eis o Artigo 1º do referido tratado: 

“Haverá paz perpétua e amizade constante entre os Estados Unidos do Brasil e o Império do Japão, assim como entre seus cidadãos e súditos respectivos.”

Esse vínculo de amizade entre Petrópolis e Japão começou antes da chegada do navio Kasato-maru no porto de Santos, em 18 de junho de 1908, transportando 791 imigrantes japoneses. Em 1897, instalou-se neste Município, a primeira legação do Japão, em uma casa situada na Rua 7 de Abril nº 609; antes, número 21. Nesse local, hoje, funciona uma pousada, na qual há um espaço reservado à cultura japonesa. 

Outro item que merece ser mencionado consiste na criação da Associação Nikkei de Petrópolis, em 2008, tendo como presidente o senhor Kiyoshi Ami, casado com a senhora Michiko. Nesse ano, comemorou-se o centenário da Imigração Japonesa no Brasil. “Petrópolis Nippon Matsuri” foi um evento que também evidenciou a cultura nipônica em nossa cidade.  Estima-se que haja aproximadamente trezentos descendentes de japoneses neste Município.

 A partir de 2009, passou a ser realizado em Petrópolis, o “Bunka-sai”. Evento este que já faz parte do nosso calendário turístico. 

Neste ano, o Bunka-sai será realizado entre os dias 10 e 13/08. O Festival da Cultura Japonesa, na Casa de Cláudio de Souza, ocorrerá entre 15 e 19/08. 

P.S.: No Japão, os profissionais da Educação se sentem respeitados.