Tribuna de Petrópolis

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As lições que a vida nos dá

Por: Angela Coutinho
11/08/2017
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Sim, todos esses preâmbulos nos mostram a autenticidade das leis de causa e efeito, de amor, de caridade e de perdão. 

Tracemos aos justos o que merecem, mas, aos injustos, a repercussão de seus atos virá acentuar-se nas linhas de um futuro próximo. 

Tentemos, ainda, observar os efeitos da linguagem, do linguajar das almas encarnadas. Os ultrajes, as proliferações de assuntos que não nos dizem respeito, pois não sabemos da profundidade dos atos e atitudes alheias, como então poderemos discorrer sobre o que foi ou o que será? 

Naturalmente, o homem, no estágio em que se encontra, se perturba ainda com a vida alheia, observa, critica, atua, invejando e comparando. Isso é muito natural no mundo de ressarcimento e expiação. Ainda estamos em exercício de nossas faculdades, não as dominamos inteiramente, não as detemos ainda sob observação em seus devidos domínios e valores, por isso, abusamos inteiramente, não nos lembrando sequer de que o seu mau uso nos trará um volume de falhas e de necessárias reposições. 

Nada mais do que respeitarmos cada parte de nosso corpo, nada mais do que devermos, não só cuidar do físico, mas do mental e sensorial em todos os sentidos, sob todos os aspectos: da moral, do respeito e do amor. 

Amar o próximo, naturalmente, incluirá o respeito à organização alheia em toda a sua estrutura física e proporcional ao seu campo de atuação. 

As palavras têm a força e o impulso de um raio. São lâminas a deflagrarem rasgos nas periferias espirituais, são flechas certeiras a se tornarem cada vez mais envenenadas e fortes, são mentes a jorrar sentimentos de rancor e a coroar em desequilíbrios e chagas, a contaminarem o organismo humano. 

A carne, o físico é fraco, está suscetível a qualquer força maior, principalmente, a essa energia que se desprende de um interior ardiloso e febril. 

As palavras atuam de modo amplo, alastrando-se no ser sob a forma de insolentes determinantes no ânimo; na intelectualidade, no organismo físico, nas células mais receptivas ou, então, mais fracas e com tendências degenerativas. A criatura se desequilibra, pois todos temos nossos pontos mais fracos e para esse lado essas energias se conduzem, atacando a condução mental, os aparelhos digestivos, as zonas em atrito com o próprio organismo. 

As desarrazoadas palavras são contaminantes e desestruturantes de vários campos, assim como, são espelhos da alma e fazem proliferar as angústias, as depressões e as caluniosas situações. 

Os sentimentos de amor e compreensão têm relevante importância na condução de nossos pensamentos e na exteriorização dos mesmos.

Ouvirmos palavras amigas e agradáveis nos transforma, mesmo que estejamos prevenidos e sejamos alheios e discordantes de quem nos fala ou do que nos falam. 

As formas autênticas de comunicação são: os gestos, as palavras e os pensamentos, para os mais distendidos em evolução, e, também, para os mais perceptivos à forma de olhar. Comunicamo-nos com o mundo através de nossos sentidos, fazemo-lo de forma tão negligente que, na maioria das vezes, nem nos apercebemos do que passamos, do que demonstramos, do que soltamos através de um olhar, de um condicionamento, de um gesto. 

Sim, por isso, o homem deveria conhecer-se melhor, se entender com o seu íntimo, trabalhá-lo e senti-lo. 

Conduzir nossas palavras é educação espiritual; somos o que pensamos, o que falamos e o que repassamos. 

Repassamos muito de nós mesmos, repassamos o que sentimos ou não, nos dividimos em verdades e mentiras, em necessários e convenientes, por isso, homem se prostitui, por isso, amealha tantos vícios mentais e corporais, por isso, tantas almas retornam em abandono dos sentidos, por não saberem respeitar o que lhes foi dado e do que precisam saber valorizar e cuidar.