Tribuna de Petrópolis

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Assim somos nós…

Por: Angela Coutinho
09/09/2017
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Espíritos em caminhadas, corpos estruturados e bem talhados, emoções que escapam das nossas mãos e, muitas vezes, vão em direção a alguém que não sabe valorizar os sentimentos e os momentos bons.

Partilhas múltiplas, sofrimentos à distância e próximos, tempos de luta, tempos de amor e luz. Enfim, momentos vividos, momentos não vividos, momentos ansiados a viver.

Assim somos nós: amor, carinho, amizade, trabalho, distanciamento de almas, algo que nos comprime ou então nos faz lembrar do quanto deixamos passar, realizar ou de nos envolvermos com as almas e com a própria vida. Necessidades básicas conjuntas, que não foram coordenadas, trazendo distúrbios a nós e a todos. Amados e amores perdidos no tempo e no espaço por uma não avaliação da extensão dos sentimentos. Nós, Espíritos, almas ansiando todos pelo amor: o amor maternal, o amor de um pai, o amor de filho ou de uma filha, o amor de um companheiro ou uma companheira, a forma compreensiva de amigos, a simpatia de vizinhos ou mesmo uma aceitação profissional. Mesmo que esses momentos tenham sido difíceis para serem lembrados, por terem sido contatos, por vezes, desgastantes, trazendo a pressão do cotidiano ou mesmo quando não conseguimos uma vivenciação plena e harmônica, nos deixamos envolver pelas ilusões de um grande amor, por uma grande vivenciação entre almas, sempre colocando desculpas ou, na verdade, não olhando para dentro de nós em profundidade a analisar os fatos e os sentimentos. 

Assim, nós, almas sedentas de amor - almas querendo aquele abraço do além e mesmo de alguém deste plano -, aquele sentimento guardado dentro de nós que, até o final da nossa vida, não teve condições nem oportunidade de se expandir. Este sentimento grafado em nosso peito, em nossa memória ou nas formas retratadas nos porta-retratos, este sentimento ainda existe em nós por almas que se foram, por almas que saíram da esfera, mas que ainda se ligam a nós pelos valores espirituais transmitidos.

Nós, criaturas em contínuos envolvimentos sentimentais buscando no dia a dia, as flores perfumadas e o aroma desse sentimento; quando nos encontramos à noite, na solidão de nosso quarto, no desprendimento do sono em busca das realizações que, geralmente, não aconteceram na esfera, nós as buscamos no entrelaçamento com as almas que vivem nas cidades e nos planos espirituais em mútuas afinidades. 

Sempre, amigos, o amor despontando à frente, ficando atrás ou nós prensados nele; em memória, em visões, em ânsias imensas e em maturações diárias do nosso processo cármico.

Algo para lembrar, algo para sentir, algo para guardar conosco no cofre do coração, trancado a muitas chaves, mas, por vezes, ocultamente, aberto sob um papel branco na impressão de um crayon.

Assim somos nós, almas eternas sempre em busca de sentimentos amigos, de amizades sinceras, de um amor que corresponda aos nossos sonhos e às expectativas de nossos corações. Mas pergunto aos irmãos, será que essas expectativas não estarão indo longe demais? Merecemos tudo que auspiciamos? Preciso será que façamos uma análise do que somos, do que doamos e se, realmente, estamos merecendo receber as dádivas que tanto ansiamos, não?

Algumas lembranças não se apagam, precisam ser guardadas; lembranças eternas, nossas, diante de alguém especial ou de momentos inesquecíveis!

Sejamos bons, pacíficos e amigos, para que os momentos das férteis lembranças possam ficar guardados no nosso cofre íntimo, nosso coração, este campo de pulsar eterno que nos faz viver infinitamente!