Tribuna de Petrópolis

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Viagem São João Marcos

Por: Moisés Inocêncio (Barão)
06/02/2017
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Em agosto de 1822, quando Dom Pedro l ia em direção à São Paulo concretizar a Independência do Brasil, ele pernoitou em São João Marcos, cidade do interior fluminense. Lá, antes de prosseguir sua viagem, convocou três homens para integrar na Guarda de Honra, e o acompanhar nesta viagem. Entre esses homens, estava Joaquim José de Sousa Breves, mui temido e mais rico fazendeiro da época.

Apesar da importância histórica de São João Marcos, a mesma foi totalmente destruída anos mais tarde, onde ficou submersa por setenta anos.

Hoje, na tentativa de preservar sua história, no local funciona o Parque Arqueológico e Ambiental de São João Marcos, onde algumas de suas ruínas podem ser apreciadas de perto.

Vamos até São João Marcos?

A cidade:

A história de São João Marcos se inicia como outras cidades coloniais e interioranas no Brasil. Fundada em 1737 as margens de uma das mais importantes vias no Rio de Janeiro, São João Marcos virou grande destaque no trajeto entre São Paulo e Minas Gerais.

Ela desempenhou importante papel na produção cafeeira e no comércio de escravos, onde inclusive serviu de palco para a “temida” administração do então fazendeiro Comendador Breves, aquele mesmo que acompanhou Dom Pedro l na Guarda de Honra até as margens do Rio Ipiranga, na Independência. Na época, ele foi considerado como o Rei do Café e era o mais rico homem do país.

No final do século XIX, São João Marcos atingiu cerca de 18.000 a 20.000 habitantes, e era dotada de uma estrutura de grande expressão para a época: prefeitura, cadeia, hospital, igreja, colégios, teatro, clubes associativos e esportivos... coisas que talvez só a capital pudesse ter, São João Marcos também podia desfrutar deste progresso.

A destruição:

Em 1939, dois anos após completar 200 anos, São João Marcos foi tombada como Patrimônio Histórico, pelo então presidente Getúlio Vargas. Mas, apenas um ano depois, o mesmo presidente “destombou” a cidade usando de poderes ditatoriais, simplesmente para facilitar e beneficiar os planos de uma empresa de energia: a atual Light.

Para atender à crescente demanda de consumo de energia, já no início do século XX, a Ligth foi autorizada pelo governo a represar e modificar vários cursos de alguns rios ao entorno de São João Marcos, formando assim a Represa Ribeirão das Lages. Até mesmo porque a Ligth estava ameaçando um boicote no setor de geração de energia, se caso não houvesse a permissão da expansão da represa Ribeirão das Lages.

É aí que começa a parte triste da história. São João Marcos foi sacrificada em 1942 pela expansão desta represa, onde foi totalmente alagada pela mesma. Antes, houve desapropriação e “expulsão” de todos os moradores de São João Marcos, onde migraram para as cidades vizinhas, como Rio Claro, Mangaratiba, Passa Três, etc.

O Parque Ambiental e Arqueológico:

Setenta anos após o total alagamento de São João Marcos, foi formada uma equipe multidisciplinar com apoio da Secretaria de Cultura do Rio de janeiro e também da Ligth (será ironia do destino?), no intuito de apresentar ao público um modelo de Museu/Parque, ou Museu de Território, dotado de conforto e segurança para os visitantes. Assim, em 2012 foi inaugurado o Parque Arqueológico e Ambiental São João Marcos, exatamente no local onde originalmente era a cidade em seus bons e ricos tempos.

O Parque Arqueológico possui uma área total de 930mil m² incluindo mata e espelho d’água. É possível visitar o circuito arqueológico, onde as ruínas consolidadas de São João Marcos permitem um vislumbre da vida na antiga cidade. O circuito de visitação conta com 33 mil m², área por onde o visitante poderá caminhar e também desfrutar da exuberante natureza.

Como chegar:

Partindo de nossa cidade, o acesso para o Parque Arqueológico e Ambiental de São João Marcos é tranquilo. Primeiro, desça a serra e depois do pedágio, acesse o Arco Metropolitano, onde iremos atravessá-la toda. Depois, siga em direção à Angra dos Reis, Paraty, etc. Chegando Mangaratiba, acesse a RJ-149, a Serra do Piloto. Então, continue rodando por uns 17km, que logo você verá o portal de entrada do parque de São João Marcos a sua direita.

Dado a dica, o que está esperando para tirar sua motoca da garagem, e visitar o Parque Arqueológico? O passeio é diferente, bacana e cultural.

Um grande abraço, e fiquem na paz!

 Veja o blog de moto AQUI.

Esta apresentação reflete a opinião pessoal do autor sobre o tema, podendo não refletir a posição oficial do Jornal Tribuna de Petrópolis.