Tribuna de Petrópolis

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Confusão urbana, sub-humana e rural 1

Por: Gilda Jorge Pedagoga
09/08/2017
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Algumas pessoas estão reunidas numa sala, sorriem e conversam amistosamente. Não se trata de uma reunião qualquer. O que elas querem, o que buscam em comum? Leitor amigo vamos por alguns instantes congelar estas imagens numa foto, suspendê-las no tempo e lançar-nos em voo amplo a sobrevoar este país afora. A natureza brasileira emoldurando a paisagem com seus cenários deslumbrantes como bem sabemos e admiramos, tantas são as belezas, encantos e riquezas de nossa terra. Contudo a contrastar com tanta beleza e bondade natural do clima, da fertilidade do solo à exuberância da vegetação em profusão de formas e cores, a fauna e a flora, frutos, os rios, as cachoeiras, os mares com suas praias e montanhas, preciosas pedras incrustadas dentro de minérios valiosíssimos. 

Apesar de o que existe de maior valor seja esta gente que aí habita, portanto o seu povo, vamos observando em quase todos os estados e municípios, cidades, vilarejos e rincões do Brasil que a integridade da vida de seus cidadãos hoje corre grave perigo. Uma guerra suja e surda vem se instalando insidiosamente dia após dia, insiste e persiste em seu intento destrutivo. Brasil! Que país é este a conduzir os seus cidadãos a maltratarem-se uns aos outros? A chamada Belíndia não mais se nos aplica, não serve mais esta cínica metáfora, na realidade nossas mazelas já transgrediram a fronteira do bom senso, vítimas condenadas que somos a um atraso civilizatório. Assim, seguimos a presenciar um revés da civilização que nunca conquistamos, ou sequer alcançamos, vê-se à luz do dia certa criatividade perversa em se praticar o Mal, tudo dentro da normalidade, sem qualquer vergonha ou escrúpulo algum, tudo demorando em ser tão ruim, dizia Caetano Veloso em seu samba da Tristeza Senhora. 

Embora o brasileiro, seja dançando ou cantando, muitas vezes consiga mandar a tristeza embora, o que é bom tudo bem, mas vejamos: uma criança sentada ao lado de sua mãe no sofá de casa e sem mais nem menos ser morta por uma bala perdida, pelos bandidos ou pela polícia, nunca mais poderá voltar a ser o que era, nem exercer o que é um direito seu inalienável, o de existir e viver dignamente: o direito democrático de viver em paz. Tristes cenas de violência contra

as vidas e os bens é o que vemos por todos os lados. A inépcia, o descaso e a omissão, seguimos sobrevoando infindáveis tapetes de estradas esburacadas, incontáveis favelas e bolsões de miséria, as doenças crônicas e a fome. Pior ainda é constatar esses falsos representantes de agora a encenar a farsa do poder. Foram escolhidos pelos cidadãos para garantir o estado de direito, fingem governar, sem o povo, só têm olhos e mãos ávidas para promover o seu próprio patrimônio particular. A decadente aristocracia insiste em proteger um seu modelo de contrato social conservador,

ultrapassado e falido (Roberto da Matta). Estes usurpadores nada têm a ver com as reformas necessárias. (Continua)