Grupo Tribuna de Petrópolis

História dos 114 anos do jornal Tribuna de Petrópolis

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Analisando a trajetória do jornalismo em três etapas que foram marcantes na sua existência até hoje, como no início do século XX no momento de sua fundação que representou seu reposicionamento político do grupo da cidade após a perda da capital para Niterói. Outro momento importante foi na metade do século, entre os anos 1950 e 1970, quando o jornal atravessava uma profunda crise e tem sua falência decretada. O terceiro momento principal que contaremos nas décadas finais do século XX, quando o veículo de comunicação se reorganiza e sob o comando da Família Imperial constrói uma nova relação de identificação e representação com a cidade de Petrópolis.

Como jornal-empresa e parte de um conglomerado de comunicação, a Tribuna de Petrópolis chega ao século XXI e se estabelece como instituição pautada por escolhas e decisões estratégicas de administração e relacionamento com o mercado local de anunciantes.

A leitura da Tribuna de Petrópolis nos inspira o conhecimento da Cidade Imperial ao longo do século. Periódico de circulação local fundado em 1902, a Tribuna, faz parte de um grupo cada vez mais raro no jornalismo brasileiro e internacional, de jornais impressos que sobrevivem às evoluções tecnológicas e às crises do mercado de comunicação. Os motivos que teriam levado um jornal local a completar mais de um século de existência são investigados por meio da leitura da trajetória da Tribuna, que permitiu a percepção das mudanças da sociedade estabelecidas entre o jornal e a cidade no século XX.

Com a República, Petrópolis passou a contar com um número cada vez maior de periódicos, a maioria de existência breve e com perfis e objetivos variados. Embora extensa, na lista de jornais do período são poucos cuja trajetória ultrapassou alguns anos de vida. É neste aspecto que a Tribuna de Petrópolis se destaca como o periódico mais longevo e de edição mais consistente no jornalismo local no último século. Foi em meio a essas transformações políticas que, em 09 de outubro de 1902, surgiu a Tribuna de Petrópolis, primeiramente publicada às quintas e domingos e, em 1908, passando a ser o primeiro jornal local diário da cidade.

Arthur Barbosa, que ficou à frente do jornal, na época era funcionário do Estado, e escrevia sob o pseudônimo de Carlos Ferraz. Nascido em Niterói a 17 de maio de 1868, Barbosa é considerado o pai da imprensa diária em Petrópolis. Quando Barbosa assumiu o jornal, os vencimentos de pagamentos dos funcionários do governo do Estado estavam atrasados em 10 meses, fato que o levou a deixar de vez o emprego público para se dedicar integralmente à Tribuna. Sua carreira jornalística iniciara-se anos antes de ser nomeado funcionário do Tribunal da Relação, tendo participado de periódicos como o Diário Popular, Correio Paulistano e Diário Mercantil. Fundou também, com Olavo Bilac, a Vida Semanária, revista ilustrada de propriedade de Castro Lima.

Em seus primeiros anos, a Tribuna de Petrópolis caracterizava-se por uma linha editorial preocupada em retratar questões como a dependência econômica da cidade. Assim a Tribuna retratava as questões de sobrevivência da sociedade brasileira, a dependência econômica do exclusivismo cafeeiro e uma sólida defesa dos princípios do industrialismo.

A bandeira da oposição levantada pela Tribuna de Petrópolis em suas primeiras edições é um marco tão forte de sua trajetória que pauta boa parte das edições comemorativas em anos seguintes. Pode-se dizer que a postura assumida pelo jornal em seu primeiro editorial muito bem ilustra a postura política que seria defendida em seus primeiros anos: ser um jornal para falar em nome dos petropolitanos e colocá-los novamente no centro do debate político nacional, lutando contra as perdas sentidas em consequência da mudança da capital para a cidade de Niterói.

Ao mesmo tempo, havia na Tribuna espaço para a realidade lúdica que a cidade ostentava no início do século XX, aspecto que é constantemente destacado como uma vocação intrínseca à cidade, graças aos anseios do Imperador D. Pedro II. A Tribuna não retratava somente os problemas de Petrópolis, registrava também divertimento e cultura. Era o encontro de profissionais e correspondentes da imprensa que formariam mais tarde o Círculo da Imprensa, eram os saraus, bailes e eventos esportivos como as corridas de bicicletas do Velo Sport Petropolitano nos jardins de sua sede, o Palácio de Cristal.

Na edição de 19 de março de 1907, Arthur Barbosa afirma que esta data é de suma importância, pois recorda o dia do reaparecimento da folha em 1903. Após um mês de interrupção, consequência da falta de segurança. Ele continua sua declaração afirmando: “Pode-se dizer que a Tribuna de Petrópolis nasceu em 19/03/1903, impressa em uma tipografia que não lhe pertencia e começou a ser o verdadeiro objeto de consumo da população petropolitana, dentro de pouco tempo seremos diário”.

Lutou de forma intensa para firmar a Tribuna da imprensa petropolitana e passou a publicá-la três vezes por semana. Modificou novamente seu formato, compondo-a com mais uma coluna, conseguiu maior número de anunciantes e finalmente a partir de janeiro de 1908, transformou-se em um jornal diário. Nesta ocasião, a redação era formada por Arthur Barbosa, diretor, Ricardo Azamor, ex-redator do Diário Popular de São paulo), e os redatores Valter Bretz e José Matozo Maia Forte.

Segundo registro de Bretz, um acontecimento no dia 11 de novembro de 1918 insere a Tribuna de forma mais emocional no seio da comunidade petropolitana, tornando-a Centro de Informações e comemorações. “Pouco depois das 13h a Tribuna recebia a notícia da assinatura do armistício; imediatamente hasteamos em nossa fachada o pavilhão nacional e a fixamos no nosso placar de alegre comunicação que por fim ter uma guerra europeia de 1914... (...) As ruas centrais começaram a apresentar desusado movimento, com a vinda de pessoas dos diversos bairros em busca de melhores detalhes. Em frente à nossa redação enorme multidão ficou à espera de mais notícias sobre a derrota alemã...”. (Bretz).

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