Tribuna de Petrópolis

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INVERSÃO DE VALORES

Por: Moisés Inocêncio (Barão)
28/12/2016
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Ao longo de minha vida como motociclista, conheci muita gente boa, e pude aprender muito com eles, pois são motociclistas responsáveis, prudentes, experientes, e usam o respeito ao próximo como máxima em suas vidas.

Mas, mesmo existindo estes bons motociclistas, por que os acidentes envolvendo motos ainda persistem em dar as caras nos jornais, inclusive em nossa cidade?

Segundo a ABRACICLO (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares), quase 50% dos acidentes envolvendo motos foram provocados pelo próprio motociclista, e desta parcela, 88% foram por imprudência. Um absurdo!

E não é difícil comprovarmos estes números. Faça um teste, parando somente por alguns minutos observando nossas ruas, e ali você verá muitos motociclistas trafegando em alta velocidade, ultrapassando pela direita, não sinalizando as trocas de direção, desrespeitando pedestres, etc. Uma coletânea de imprudência, de negligencia e imperícia.

Não costumo priorizar meus pensamentos em achar um culpado, mas sim uma solução. Mas algo que tenho percebido muito entre alguns motociclistas e com certeza é um dos grandes causadores de acidentes, é o que chamo de “inversão de valores”.

Muitas vezes, um camarada prefere gastar uma boa grana em acessórios e penduricalhos que prometem tornar suas motos mais “esportivas” (mesmo que estas não foram projetadas com este intuito), mas não tem a sensatez de tornar prioridade o investimento da compra de equipamentos para sua proteção individual, e até mesmo em realizar cursos de aperfeiçoamento e segurança na pilotagem.

Será que somente pelo fato de comprar um tênis específico para corrida, me tornarei um atleta profissional? Da mesma forma, guidons largos e coloridos, escapamentos barulhentos e perturbadores e retrovisores minúsculos, não irão tornar sua moto “esportiva”, e nem de longe seu condutor se tornará um “piloto de Moto GP”. E deixo claro que não sou contra a aquisição de alguns acessórios, até mesmo que cada um faz o que quer com seu dinheiro. Mas que as compras destes acessórios venham depois do interesse em adquirir mais conhecimento e formação para uma condução segura e respeitosa. É nítido o despreparo de uma grande parcela de condutores de motocicletas em meio à um transito que desafia até mesmo a física, onde todos os tipos de veículo querem ocupar os mesmos espaços.

São tantos erros bobos que estes “motoqueiros” cometem, que se ao menos soubessem o grande risco que eles estão se permitindo ficar expostos, com certeza pensariam duas vezes antes de cometê-los.

Querem ver uma coisa? Cotovelos colados nas costelas; calcanhares abertos para os lados; ponta dos pés apontados para baixo; costas encurvadas e cabeça encolhida entre os ombros. Aposto que você conseguiu lembrar exatamente de algumas destas “figuras” sobre motos passando por você. E todos estes gestos que descrevi acima, fazem parte de uma postura totalmente inadequada para uma pilotagem segura, deixando sua segurança e dos outros totalmente vulneráveis.

Mas o triste é que muitos adotam estas posturas erradas (e as vezes agressivas) simplesmente por não conhecerem as técnicas e práticas corretas do uso e condução de suas motos. A inversão de valores é tão grande que já ouvi inclusive, que alguns adotam estas posturas imaginando que pilotando uma moto de maneira perigosa e irresponsável, ele estará “tirando onda”. Nem sei se é para rir ou chorar ouvindo isto.

Sabemos que um indivíduo ao conquistar sua CNH (Carteira Nacional de Habilitação), a sua formação como condutor não estará completa, pois o que ele aprendeu foi somente o necessário para se locomover em uma moto, ou melhor, ele foi adestrado para ser aprovado no exame de habilitação junto ao órgão responsável. Portanto, o ideal seria os mesmos procurarem se especializar adquirindo mais conhecimento e técnicas de pilotagem, com o intuito de preservar sua integridade física e o bem-estar de todos.

De fato, o comportamento de risco destes motociclistas ainda é o principal culpado pela continuidade dos acidentes. Não podemos apenas cruzar os braços e esperar que o outro faça alguma coisa, nem mesmo esperar pelo Poder Público. Faça alguma coisa, Urgente! Temos que agir o quanto antes fazendo nossa parte, mesmo que “somente” sendo respeitosos uns com os outros, nos tornando a boa referência para muitos motociclistas que ainda não perceberam que todos nós, inclusive suas famílias, estamos sofrendo com esta estatística banhada de sangue e lágrimas.

Sistematicamente digo que, a moto não é perigosa, mas sim quem a conduz. Um irresponsável sobre uma moto, também será irresponsável na direção de um carro, sobre uma bicicleta, etc.

De uma vez por todas, temos que colocar em nossas cabeças que a beleza do motociclismo não está na moto em si, mas na postura adotada na condução das mesmas, tornando assim nosso transito mais bonito e mais seguro.

Afinal de contas, a vida é muito boa quando se pode viver. Para os que não andam de moto, nem tudo no motociclismo são notícias ruins. O motociclismo nos proporciona grandes momentos de paz, alegria e companheirismo. Mas como já dizia nosso grande rei Roberto, “é preciso ter cuidado pra mais tarde não sofrer. É preciso saber viver”.

Um grande abraço, e Deus os abençoe!  

Veja o blog de moto pelo inteRior.

Esta apresentação reflete a opinião pessoal do autor sobre o tema, podendo não refletir a posição oficial do Jornal Tribuna de Petrópolis.