Tribuna de Petrópolis

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Responsável por incendiar lixeiras no Humberto Rovigatti é identificado

13/09/2017
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Foto divulgação

O responsável por incendiar lixeiras no Humberto Rovigatti na madrugada do último domingo (10.09) foi identificado nessa terça-feira (13.09). Ele foi conduzido pela Guarda Civil à 105ª Delegacia de Polícia, no Retiro, para prestar depoimento. Ele vai responder por dano ao patrimônio público e pode pegar até três anos e meio de prisão, além de multa. A identificação foi possível a partir de câmeras de segurança de residências do local que flagraram a ação criminosa.

O ato de vandalismo aconteceu por volta de 5h. Em uma das imagens, que foram entregues por moradores ao secretário de Serviços, Segurança e Ordem Pública, Djalma Januzzi, e repassadas à polícia civil, o acusado coloca fogo em uma lixeira e, alguns segundos depois, retorna para incendiar a lixeira que estava ao lado. No total, sete coletoras foram queimadas no domingo.

“O responsável por esse incêndio poderia ter causado um dano muito maior. Uma das coletoras queimadas estava perto de um carro, que foi atingido. Se esse veículo tem gás ou está com tanque cheio, ele poderia ter explodido e causado uma situação ainda pior. Isso é extremamente grave e por isso trabalhamos para identificar rapidamente”, diz Januzzi.

Nesse local, o fogo poderia ter se alastrado pela vegetação e atingido ainda outros veículos que ficam em uma espécie de “estacionamento coletivo” do bairro. Ali ficam oito automóveis, entre eles, o do aposentado Carlos Roberto Alves. Depois do susto de domingo, o morador já está conversando com vizinhos sobre a possibilidade de instalar câmeras no local.

“Isso é um absurdo. Nós escutamos o barulho do alarme soando de madrugada e viemos ver o que estava acontecendo. A sorte é que deu tempo e dois vizinhos conseguiram apagar o fogo com extintor. Poderia ter destruído todos os carros que estavam aqui”, afirma o aposentado, com indignação.

O homem apontado como responsável tem 30 anos e foi encontrado no próprio Humberto Rovigatti, onde mora, por volta de 19h de terça. Ele foi levado por dois guardas para a delegacia e, em depoimento, reconheceu que era ele na imagem, mas afirmou que não se recorda de ter colocado fogo nas lixeiras. O homem alegou que consumiu bebida alcoólica horas antes do incêndio. Ele foi acusado com base no artigo 163 do Código Penal, que tem pena de até seis meses, aumentada em até três por se dano qualificado (contra patrimônio público), e vai responder em liberdade, já que a prisão não foi feita em flagrante.

Esse foi o terceiro caso de incêndio de lixeiras na cidade. O primeiro aconteceu entre maio e junho, quando outras cinco coletoras foram danificadas e duas furtadas em diversos bairros (Itaipava, Morin, Araras, Quarteirão Brasileiro, Castelânea e Bonfim). No mês passado, a empresa registrou problemas em mais sete lixeiras no Alto da Serra, Quissamã, Siméria e Bingen, que foram registradas na delegacia junto com essa terceira leva de queimadas.

Lixeiras já estão sendo repostas 

As lixeiras que foram danificadas já começaram a ser repostas. A que foi queimada próximo ao carro, por exemplo, foi substituída ainda na terça. Outra já colocada nesta quarta (13.09). A Força Ambiental, empresa que faz o recolhimento de lixo na cidade e também é responsável por instalar as coletoras, já está providenciando a reposição das demais. Ao longo do ano, já foram instaladas cerca de 250 lixeiras em todo município. Esses equipamentos são feitos de plástico rígido tem capacidade de até uma tonelada de lixo. Cada peça custa R$ 1,2 mil. A empresa também utiliza uma coletora feita de metal, que comporta até cinco toneladas e custa R$ 2,2 mil. Entre as queimadas, seis são plástico e uma de metal – ou seja, o prejuízo causado só naquela região é de R$ 9,4 mil.

A empresa também tomou outras medidas para reforçar neste período de reposição das coletoras. Os caminhões que passarem perto dos locais onde as lixeiras foram queimadas estão orientados a fazerem o recolhimento do lixo, mesmo que a área não esteja na rota original da equipe.

Os incêndios não podem ser explicados por excesso de lixo. Em 2017, a coleta diária foi ampliada em 47% em média – até o ano passado, eram recolhidas 272 toneladas/dia, enquanto agora são 400 toneladas/dia. Em oito meses, quase 100 mil toneladas de lixo já foram retiradas das ruas da cidade. A coleta segue um cronograma que prevê a passagem de caminhões todos os dias em locais movimentados e com grande quantidade de moradores e com intervalos máximo de 48 horas nos demais (como é o caso do Humberto Rovigatti). Isso significa que os atos não foram uma tentativa de acabar com o lixo acumulado, como aconteceu nos últimos dias do ano passado, quando a coleta ficou irregular.