Tribuna de Petrópolis

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Nascemos para a felicidade

Por: Fernando Costa - Advogado e jornalista
13/09/2017
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A Liturgia Diária e a Recitação do Terço (1Cor.12, 12-14.27-31) nos inspiram a exemplo de São Paulo na Carta aos Coríntios. No versículo 28 e seguintes ele nos fala sobre os dons. E pergunta: Acaso todos são Apóstolos? Todos são Profetas? Todos ensinam? Todos realizam milagres? Todos têm o dom das curas? Todos falam em línguas? Todos as interpretam? E neste mesmo diapasão busquei através da hermenêutica, exemplos de vivência e de convivência nos dias de hoje. Ao partirmos da premissa de que só passamos por esta vida uma vez, não custa lutarmos para sermos melhores. Por que dificultar o que se pode simplificar? 

Nascemos para a felicidade e não para o sofrimento. Ouço em inúmeras ocasiões que quem cria doenças e os obstáculos somos nós. Nossa ansiedade em resolvermos tudo num minuto é que acaba ocasionando estresse, e desastres em nossa existência. É evidente que nascemos inteligentes, uns desenvolvem melhor seus dons, outros são mais reticentes, mas, por que não buscarmos a felicidade? Nem todas as tarefas são agradáveis, mas, se tivermos boa vontade, otimismo, fé e a confiança como o fio condutor, subsistir será bem mais fácil. Vivamos. Não adianta angústia ante as provas diárias e nem fomentarmos amarguras e dissabores. Falo por mim, porém, cada qual tem seu jeito de ser.

 No dia em que não proclamo a liturgia e não rezo o Terço, sinceramente o tempo não corre tranquilo Na verdade, raras foram essas ocasiões. O mesmo ocorre com a presença à Sagrada Eucaristia, seja aqui, no Japão onde for, jamais deixo de ir à Missa. Claro que se a pessoa estuda, se aprimora, seja em que área for, suas possibilidades se multiplicam, mesmo assim, a sobrevivência não está fácil para ninguém. Mas ser feliz é trabalhar naquilo que mais nos realiza, fazer um pacto diário. Torna menos árida a nossa convivência. Não raro à saída do fórum quando estou no Rio de Janeiro, vejo os profissionais sentados tomando seu chopinho, conversando, rindo, fazendo planos sob calor intenso e o suor a escorrer pelos rostos cansados de mais um dia de labuta. Se for fevereiro a cidade se engalana e caem no samba sem pudores e preconceitos. Só alegria. A paixão pelo futebol é contagiante. Sou neófito nessa área, mas, torço pelo flamengo respeitando as demais agremiações simpáticas aos parentes e amigos. O importante é viver. 

E você, está esperando o quê? Ela passa muito rápido. Há pessoas que deixam de viver para se ocuparem com o disse me disse. Falta do que fazer? Não precisa trabalhar? Se assim for, ótimo, mas procure um livro para ler, uma obra social para ajudar, um bordado, um crochê, um hospital para visitar, uma atenção aos idosos ou crianças que precisem de voluntários. Dê tratos a seus neurônios. Não deixe que a Alzheimer se propale e nem a doença de Parkinson tome conta de você, pare de se preocupar com o alheio. Não importa a profissão religiosa, mas, permaneça em sintonia com Deus tendo o Espírito Santo como Paráclito em todos os instantes. 

Eu não escondo minha devoção Mariana e quem não descobriu Maria Santíssima tem os faustos de sua caminhada mais pesados. Liberte-se, ainda há tempo. Partindo ao popular disse Gonzaguinha “viver e não ter a vergonha de ser feliz” e também os cantores e compositores, Arlindo Cruz e Zeca Pagodinho nas composições “deixe a vida me levar”, “eu já passei por tudo nessa vida”. Fiquemos, por fim, com as sábias as palavras de São Paulo quando pontificou: “Aspirai aos dons mais elevados”.