Tribuna de Petrópolis

Texto A - A A +

Outubro Rosa: Conheça histórias de guerreiras que lutaram contra o câncer de mama

Por: Carolina Freitas
29/10/2017
Compartilhar:
Fotos: Bruno Avellar

Esta semana preparamos algo muito especial para nossa seleção de imagens que fazemos semanalmente nas plataformas digitais da Tribuna. Por se tratar da última semana do mês de Outubro, reunimos um grupo de mulheres que lutaram ou ainda lutam contra o câncer. Publicamos uma foto de cada guerreira por dia, além de uma breve descrição sobre suas histórias de vida. O resultado você confere abaixo.

Dona Nilza

"O mal já existe dentro da gente, ele só aflora a partir do câncer", é assim que dona Nilza Maria Barros Machado, de 70 anos, define a doença que lhe foi diagnosticada 7 anos atrás. Sua reação diante da notícia poderia ter sido a mais negativa e pessimista possível, principalmente por ter vindo cerca de um mês após a morte de seu marido, com quem esteve casada por 43 anos. Entretanto, como ela bem descreve, "o câncer de mama significou vida". Mãe, avó e, recentemente, bisavó, ela foi capaz de ver um propósito no diagnóstico: passou a apreciar a vida e a vivê-la da melhor maneira possível. Aos 13 anos dona Nilza parou de estudar para ajudar sua mãe no trabalho, mas ano passado decidiu retomar os estudos. Concluiu o ensino fundamental e, este ano, ingressou no ensino médio. "A vida é muito importante quando bem vivida. Eu quero viver e chegar aos 100 anos, sinto que ainda há muito a ser feito", diz com um sorriso no rosto. Capaz de rapidamente encantar aqueles aos seu redor seja por seu alto astral ou por seus ensinamentos, dona Nilza é um verdadeiro exemplo de superação.

Ana Paula


Mãe: palavra pequena, mas que carrega consigo um significado imensurável. Por normalmente serem consideradas os pilares das famílias, são elas as figuras fortes capazes de, diante de momentos difíceis, descobrir uma força interior antes inimaginável. Com Ana Paula Azevedo, de 41 anos, a situação não poderia ter sido diferente. Mãe de duas crianças, uma de 10 e outro de 3 anos, foi um tremendo susto ter descoberto seu câncer de mama no ano passado. Contudo, a partir do apoio que tem recebido de sua família e amigos, Ana foi estimulada a ter ainda mais garra para enfrentar a situação. "Para mim, o apoio da família neste momento é fundamental para que o tratamento dê certo. Meu marido sempre esteve ao meu lado, me acompanhando em todos os exames. Por estar dentro de casa comigo, é ele quem acompanha de perto meu sofrimento e quem também me dá forças”. Ela dará início às sessões de quimioterapia ainda este mês e tem previsão de terminar o tratamento em novembro. Quando questionada sobre um possível aprendizado adquirido depois da doença ela revela ter passado a valorizar a vida e as pessoas de maneira diferente. "Você passa a descobrir o quanto é querida e amada. São pessoas que entram em sua vida e que não saem nunca mais; pessoas que, principalmente nos momentos em que você se sente fragilizada, são capazes de mudar seu dia com uma simples mensagem". Não só para seus filhos, mas para todos que a conhecem, Ana é uma “super mãe”: carinhosa, atenciosa e, acima de tudo, guerreira. 

Dona Nadir


Não é à toa que dona Nadir Garcia de Souza, de 85 anos, carrega o nome "Vitoriosa" no peito. Há 19 anos ela foi diagnosticada com câncer de mama sendo que, dois anos antes, teve seu filho levado pela doença. Com câncer de estômago, ele faleceu aos 41 anos depois do tumor se espalhar por outras regiões do corpo. Por ter sido diagnosticada logo após a perda do filho, sua família ainda estava em estado de choque quando a notícia foi dada o que, de certa forma, facilitou a aceitação do quadro. Recuperada há quase duas décadas, ela relembra que em momento algum do tratamento deixou de se dedicar às atividades que gosta e que o apoio promovido pela APPO, Associação Petropolitana dos Pacientes Oncológicos, foi fundamental em seu processo de recuperação. Dizem que aquele que por muitos anos viveu tem o brilho de seus olhos ofuscado pelas tragédias que já viu no mundo. Contudo, o que se vê no olhar de Dona Nadir é o oposto: leveza, alegria e a vitória de alguém que fez com que sua vontade de vencer fosse maior do que seus obstáculos. 

Lívia 


Fonte de inspiração. Assim pode ser descrita a história de Lívia Vedovani, de 65 anos, cuja trajetória tem sido uma luta constante. Aos 37 anos ela foi diagnosticada com câncer de mama e, 11 anos depois, surpreendida novamente pela doença. Em 2008 ela teve câncer de intestino e, em 2015, metástase óssea. Diante de tantos obstáculos, Lívia poderia ter optado por simplesmente desistir, mas isso nunca foi uma opção. Ela foi capaz de transformar a dificuldade em oportunidade. Oportunidade de valorizar momentos simples e de motivar outras pacientes a também se manterem otimistas, razão, inclusive, pela qual passou a dar palestras na APPO. Além disso, nos momentos em que sua família se sentia triste em ver seu sofrimento, era ela a responsável por lhes dar esperança. Lívia é capaz de manter o bom humor e o sorriso no rosto em meio a tantos problemas. Lívia nos ensina a repensar nossas tão temidas preocupações. Lívia é uma sobrevivente. "Eu amo a vida. Afinal, para estar aqui até hoje, tenho que gostar muito de viver", brinca ela. 

Day 


Números não são capazes de descrever o carinho e a admiração que as pessoas sentem por Day Sant'Anna. Os milhares de seguidores que tem em suas plataformas digitais são apenas o fruto do trabalho de valor imensurável que vem realizando. Em dezembro de 2015, 2 dias antes de completar 32 anos, ela identificou um nódulo em sua mama e, mais tarde, foi diagnosticada com câncer. Como acontece em toda bela história, Day fez com que seus problemas se tornassem motivações: passou a ver a vida de maneira mais leve e otimista. Pensando em compartilhar suas experiências ela criou o blog Viver Eu Quero, que rapidamente se tornou fonte de inspiração para várias mulheres e a incentivou a promover oficinas e eventos para aumentar a autoestima das pacientes. Uma dessas ações é a "Lenços da Alegria", que já beneficiou mais de 2 mil pessoas no Brasil e que contemplou todos os estados do país. Como ela diz: "Achei que valia a pena comprar a briga de mais pessoas além da minha". Com um sorriso contagiante e um coração capaz de acolher a quem precisar, Day é o tipo de pessoa que promove o bem sem olhar a quem e que, sem sombra de dúvida, tem muito a nos ensinar.