Tribuna de Petrópolis

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Pai Nosso VII – Sexta prece

Por: P. Elton Pothin
10/11/2017
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E não nos deixes cair em tentação.

A vida é assim que um dia a gente está em pé, no outro cai. Por isso precisamos voltar a pedir que Ele não permita a nossa recaída e que não cedamos à tentação. Existem três tipos de tentação: da carne, do mundo e do diabo.

Nós moramos na carne e carregamos conosco o velho Adão, que fica se remexendo e, todos os dias, nos provoca para a incastidade, preguiça, comilança, bebida, ganância e patifaria, para enganar e passar o próximo para trás – em suma, toda sorte de maus desejos que por natureza estão grudados em nós e ainda são estimulados pela companhia de outras pessoas, ao ver e ouvir exemplos que, muitas vezes, ferem e tocam fogo mesmo no coração inocente. 

Além disso, há o mundo, que nos ofende com palavra e atos, despertando nossa indignação e impaciência; em suma, somente há ódio e inveja, inimizade, violência e injustiça, deslealdade, vingança, maldição, gente se espinafrando, fofoca, presunção e orgulho com coisas supérfluas como joias, prestígio, fama e poder, onde ninguém pode ser o menor, e sim ficar sentado no topo, visto por todos. 

Além disso, ainda tem o diabo que fica instigando e atiçando por toda a parte; mas sua atuação principal é no âmbito espiritual, da consciência, buscando levar as pessoas a fazer pouco caso e a desprezar a palavra de Deus, arrancando-nos da fé, da esperança e do amor, induzindo à superstição, a negar e blasfemar contra Deus. Essas são as armadilhas, as flechas incendiárias atiradas pelo diabo para envenenar o coração.

Mesmo tomados isoladamente, são formidáveis os perigos e as tentações que cada cristão precisa enfrentar. (Precisamos) clamar e rogar a toda hora que Deus não nos deixe esmorecer, cansar, ter recaída no pecado, na vergonha e na descrença. Caso contrário, será impossível resistir à menor tentação.

“Não nos deixe cair em tentação” quer dizer que Ele nos dê força para resistir, não que seja tirada ou anulada a tentação. Pois ninguém consegue contornar a tentação, por que vivemos na carne, e o diabo nos cerca, não tem jeito, precisamos suportar a tentação. São duas coisas diferentes: sentir a tentação e ceder a ela, aceitá-la. Todos temos que senti-la, mesmo que não do mesmo tipo; para alguns será maior e mais pesada: para os jovens, principalmente a tentação da carne; para os adultos e velhos, a do mundo; outros, que lidam com a espiritualidade, isto é, os cristãos fortes, a do diabo.

Ninguém se sinta tão seguro nem deixe de tomar suas precauções, como se o diabo estivesse longe de nós. O que precisamos é contar com os golpes e nos defender. Mesmo que eu seja casto, paciente, amável e firme na fé, nessa hora o diabo lançará uma flecha tal no coração, que eu mal conseguirei resistir. Ele é um inimigo que não se cansa: onde cessa uma tentação, sempre aparecem outras! Por isso não existe outro recurso, nenhum amparo senão apelar para o Pai Nosso e dizer a Deus com sinceridade: “Pai querido, tu me mandaste orar, não permitas que eu tenha uma recaída pela tentação!”

Então você verá que a tentação precisa ceder, dando-se finalmente por vencida. Se você se atrever a fazer autoajuda com suas próprias ideias e recursos, só vai piorar as cosias e dar mais chance ao diabo. Pois ele tem uma cabeça de cobra: onde ele achar uma brecha aonde a possa enfiar, o corpo inteiro a seguirá; mas a oração pode impedi-lo e tocá-lo de volta.

(Fonte: Catecismo Maior, p. 103-105)

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Avenida Ipiranga, 346.

Cultos todos os domingos às 09:00h. Tel. 24.2242-1703