Tribuna de Petrópolis

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Penso, mas aqui inexisto!

Por: Joaquim Eloy dos Santos - Escritor
04/10/2017
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Sou um ser humano do século passado. Custei um pouco a ficar convencido do fato, o que somente aconteceu quando, já no nosso vivente século XXI, observei crescendo a negação de tudo o que aprendera nas diversas fases da minha existência.

Tudo começou com a eleição do ex-metalúrgico para o governo da república, para o qual não contribui porque não votei em nada e nenhum relacionado ao PT. Curvei-me à vontade do eleitorado mesmo porque não tive alternativa e nem remédio.

É certo que a corrupção produzida, embalada, distribuída e consumida pelos maus políticos é coisa que vem do período colonial. Eu nem devia estranhar nada e até ouvia com simpatia a falácia rouquenta, dizendo aos quatro ventos que o partido no poder e seus integrantes eram éticos, sérios, paladinos da moral e que tudo isto seria implantado no país pelo exercício de uma politica honesta e realizadora.

O tempo foi passando e parecia que tudo andava bem, ou mais ou menos melhor do que o pior de antigamente.

Ai, por culpa da reeleição, o sempre ex-metalúrgico, apesar dos escândalos já públicos do “mensalão” (apenas um exemplo), consegue se reeleger, mete os pés pelas mãos e mais as mãos do que os pés e, em seguida, implanta no Alvorada a inquilina dama bolivariana, a qual também consegue uma reeleição, esta culminando com o rodo correndo solto em cima da porqueira e defenestrando a dita cuja das mordomias palacianas.

Ai é que vi ser mesmo um ser esdrúxulo do século passado, porque essa gente brasileira (eleitos e eleitores), conseguiu borrar minha inocência com as piores práticas de corrupção, ao arrepio de tudo que aprendi de boas maneiras, da educação em primeiro lugar e da honestidade, gente... da honestidade, pombas!

E ainda o ex desponta na cabeça das duas pesquisas: forte para a recondução e fortíssimo na rejeição. Um verdadeiro samba do afrodescendente doido, segundo Sérgio Porto, o imortal Stanislaw Ponte Afrodescendente.

Então, façamos uma coisa: ou tributamos ao ex-metalúrgico e ao PT, criadores da maior escola de samba de todos os tempos, a “Unidos pela Corrupção”, a descoberta explícita do mal feito, de forma escancarada, pondo a nu a realidade da política nacional e, portanto, elevando um monumento a todos eles por contribuírem, por burrice e crassa ingenuidade, para a abertura das maletas, das mochilas, da exposição de cuecas recheadas de dólares, de apartamentos cofres e outras profundezas de caráter.

Pois muito bem, ou então deixamos de reeleger toda essa quadrilha formada pela grana fácil, e partimos para uma reforma política que só poderá ser autêntica se vencer o clamor das ruas na batalha contra a guerra dos conchavos corporativistas que compõem as mentes demoniacas de fazer inveja ao desmoralizado príncipe das trevas, o Lúcifer, tão querido das seitas que berram por ai a salvação.. dos dirigentes delas...

E, piorando tudo, vou ter que aguentar mais tempo de descalabros, visto que os advogados do ex aumentaram dois dias no calendário anual.

E será conveniente não mexer muito no bolo, aquele das moscas, porque a coisa fugirá do controle e todos mergulharemos no caos e chafurdados de lama e, olhando para o alto, ver aeronaves voando para os paraísos fiscais. Perdão, com licença da má palavra, quis dizer: fecais.