Tribuna de Petrópolis

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Viagem Guapimirim

Por: Moisés Inocêncio (Barão)
16/01/2017
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Sabe aqueles dias caóticos de nossa cidade? Trânsito pesado e grandes filas de congestionamento, buzinas em vão e semblantes de estresse por todos os lados, e aquele calorão parecido com a capital do Rio, etc, etc e etc.

Sendo assim, está mais que na hora de relaxar um pouco, não acha? Então, se além de viajar de moto você também gosta de sombra e água fresca, esta viagem será uma boa dica para você, que de fato procura e precisa descansar.

Quero te convidar para novamente tirar sua motoca da garagem, fazer as devidas revisões na mesma e conferir todos os seus equipamentos de segurança e...

pé na estrada!


Vamos até Guapimirim?

A aproximadamente 75km de Petrópolis (ou 50km se decidir ir pela “Serra Velha”), Guapimirim significa "afloramento de águas" no dialeto indígena que viviam naquele local. E realmente é um local onde jorram águas cristalinas e frescas, acompanhadas de um puríssimo ar onde nossos pulmões agradecem. Apesar de ser um município novo (foi emancipado de Magé em 1990), Guapimirim guarda muitas histórias.

Uma curiosidade, é que a conhecida formação rochosa chamada Dedo de Deus, pertence a Guapimirim, e não a Teresópolis, como muitos cariocas costumam achar. E uma parte interessante da história que este município do Rio nos reserva, é Parque Nacional da Serra dos Órgãos, onde a Mata Atlântica ainda é totalmente preservada. E o destino desta nossa "motocada" será exatamente lá, neste parque ecológico.

Parque Nacional da Serra dos Órgãos:

Criado em 1939 para proteger a excepcional paisagem e a biodiversidade deste trecho da Serra do Mar na Região Serrana do Rio de Janeiro, o Parque abriga mais de 2.800 espécies de plantas catalogadas pela ciência, 462 espécies de aves, 105 de mamíferos, 103 de anfíbios e 83 de répteis, incluindo 130 animais ameaçados de extinção.

No Parque, o barulho estressante dos congestionamentos dá lugar ao som dos pássaros, das águas cristalinas que jorram das muitas cachoeiras, e dos movimentos das árvores centenárias provocadas pelo vento. São vinte mil hectares de pura paz.

O acesso aos poços d'água formado naturalmente pela natureza ao longo do tempo, é preciso atravessar algumas trilhas no meio da mata. Mas fique tranquilo pois elas são tranquilas de se passar. Fica uma dica: se der, coloque um tênis e roupa confortável para você aproveitar o máximo deste passeio com conforto e segurança. Ah! Também não esqueça dos trajes de banho.

Neste local, antigamente pertencia a Fazenda Barreira do Soberbo, onde seu casarão permanece preservada com sua arquitetura original. Ali, hoje funciona um museu em homenagem a Friedrich Philipp Von Martius, um botânico e naturalista alemão, que percorreu todas estas terras no século XIX realizando suas pesquisas. Após três anos percorrendo estas terras a bordo de um cavalo (se fosse nas épocas atuais, tenho certeza que Von Martius faria este trajeto de moto, rsrsrs) se hospedou na casa desta fazenda.

Além do pesquisador, o Imperador dom Pedro II, a Princesa Isabel e o Conde D'Eu também se hospedaram na casa sede da desta fazenda. Portanto, o casarão foi todo restaurado para a preservação de suas características originais em 1939, onde foi incorporado ao Patrimônio Ambiental da União, na época, pelo presidente Getúlio Vargas.

Ainda no Parque, vale atravessar uma trilha de mais ou menos trezentos metros, para ver de perto uma capela datada de 1713, isto é, construída antes mesmo da antiga fazenda que funcionava neste local. Muito bacana!

Bem, depois que você curtir toda esta história e aproveitando cada centímetro quadrado da natureza preservada no Parque, que tal comer um pouco?

Mas antes mesmo de fazes aquela boquinha, pegue sua moto, continue a subir a serra até chegar no mirante do Soberbo, onde dá para se contemplar boa parte do Rio de Janeiro visto de cima, e claro, tirar uma bela e marcante fotografia do Dedo de Deus. Imperdível. Ah! Próximo a este local, logo na entrada de Teresópolis, você encontra alguns quiosques que servem deliciosos pasteis de vários sabores, acompanhado de caldo de cana. Bom para quem deseja fazer somente um lanche.

A outra dica, agora para quem está com um pouco mais de voracidade alimentar, é o restaurante do Rogério's, que fica no início da serra no acesso ao bairro Barreira. Desça a serra novamente, e fique ligado ao retorno para acesso à este bairro. Fique tranquilo que é bem sinalizado.

O interessante é que, este "cantinho" da serra, era um posto de cobranças fiscais por onde passavam as tropas que seguiam em direção a Minas Gerais, era cobrado uma taxa, o que deu origem ao nome do Bairro. Neste local também passou uma das mais importantes linhas férreas do Rio de Janeiro, extinta em 1923. Na estradinha com calçamento ainda em paralelepípedos, podemos observar alguns metros de encostas feitas em pedras, por mãos escravas.

Como chegar:

Ficou curioso em conhecer Guapimirim e o Parque Nacional da Serra dos Órgãos? Então não perca tempo, pois é fácil chegar lá: Saindo de nossa cidade, é só acessar a BR-040 sentido a capital do Rio, descendo a serra, e depois acessar a BR-116 (Rio x Teresópolis). Se você tiver um pouco mais de tempo e “paciência”, você também poderá descer pela Serra da Estrela, também conhecida como Serra Velha, e acessar a BR-116 passando por Piabetá. Mas atenção, pois esta estrada possui bastantes irregularidades em seu calçamento, tornando perigoso a viagem.

Então galera, esta é a dica da vez. Aproveite bem sua viagem, mas lembre-se: pilote sua moto com responsabilidade, pois a grande sacada é você chegar ao destino são e salvo, e depois poder contar para os amigos como foi o passeio.

Boa viagem e Deus os abençoe!


Veja o blog de moto AQUI.


Esta apresentação reflete a opinião pessoal do autor sobre o tema, podendo não refletir a posição oficial do Jornal Tribuna de Petrópolis.