Tribuna de Petrópolis

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Recuse o peixe

Por: Joaquim Eloy dos Santos - Escritor
07/11/2017
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Manobras radicais são sempre arriscadas. E estamos no terreno do pedregulho e dos abismos, prontos a um escorregão fatal. A paisagem é bela, encantadora, a primavera colore tudo alvoroçando pássaros e insetos e até acordando amigos ursos da hibernação. Tudo cheira a flores porém aumentam-se os odores produzidos por descartes naturais expelidos por todas as criaturas que festejam a polinização.

A primavera encanta e enternece corações bravios, conquanto passa ao largo das mentes poluidas pelo desapego à razão determinante dos princípios da honestidade, fraternidade, honra.

Existem indivíduos incapazes de aspirar o aroma das flores ou sentir a natureza em seu esplendor porque estão integralmente ocupados com seus narizes entupidos de sinecuras e outras adjetivações que afogam o exercício da política e das atividades empresariais indispensáveis à sobrevivência social.

Assim está dimensionado o nosso continental Brasil, com problemas da extensão de sua grandeza, onde tudo se plantando dá, inclusive o florescer multicolorido da natural e bela paisagem tropical. E, também, do olho gordo, grande, desonesto, dos agentes que eleitos ou não pelo povo, praticam atos e geram fatos que acordam as medusas horrendas que habitam as cavernas da imponderabilidade. E elas, agentes do mal, empedram corações, liquefazem mentes doentias, geram monstrengos horríveis, que circulam em meio às batalhas, corrompendo a castidade juvenil dos corações em primaveras.

E, sim, manobras políticas radicais são sempre arriscadas, principalmente nesse terreno da miserabilidade dos humanos deixados à margem, desprezados e explorados, porque estas são engendradas por mentes doentias que enganam o povo para suas eleições e reeleições, não importando que as lavas vulcânicas da insensatez queimem calçados e estorriquem pés descalços de tudo.

Assim está o atual quadro político brasileiro, alimentado pela corrupção e garantido pelos corruptos, todos preparados para o pleito de 2018, já recolhendo propinas e outras adjetivações abertas ou encobertas e lançando aos pleitos a mesma chusma de malfeitores assassinos da dignidade e da decência.

O próximo presidente, os legisladores, os garantidores da constituição, se movimentam para o assento por cima da carne seca.

O próximo e próximos quadriênios já têm seus donos, os continuistas de sempre, sob o programa eleitoral da promessa de tudo e para todos, enquanto adota-se a política norte que os encaminha ao poder : o analfabetismo crônico nunca debelado, sempre sustentado porque razão e mote dos espertalhões, malfeitores, assassinos da dignidade inocente de nossa gente espetada em cruzes, à espera de uma salvação alimento da esperança.

Será que veremos um dia surgir um messias iluminado e decente que venha reunir as crianças a elas deitando o conhecimento e incentivando o uso da razão ? E expulsando os vendilhões do templo ?

Ouçamos, então, uma vez mais, Francisco : “Recuse o peixe ! Ensine a pescar !”