Tribuna de Petrópolis

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Táxi, Uber e tradição

Por: Paulo Marambaia - Radialista
13/07/2017
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Se eu, fosse morador de qualquer capital do País e precisasse diariamente dos serviços de um serviço alternativo de transportes, com certeza, usaria os serviços do Uber.

Ninguém sabe por quanto tempo, os “enganados” novos taxistas do Uber vão ter condições de fazer reparos mensais nos automóveis, ou mesmo a troca dos carros a cada 3 ou 4 anos de serviços prestados.

Ninguém pode ir contra a modernidade, as novas tecnologias, longe disso, mas ainda não inventaram essa nova prática do capitalismo, em que uma pessoa trabalha, trabalha, trabalha e, após algum tempo, não tem caixa para a segunda etapa do projeto, ou seja, a troca do automóvel, além, evidentemente, de ter de tirar do negócio o seu sustento mensal.

Como entender que um Uber saia do Rio, venha a Petrópolis, atenda ao passageiro e vá até o Aeroporto Tom Jobim por R$ 80 ou R$ 100, como eles vêm fazendo, com dois pedágios, uma serra esburacada, assaltos na Washington Luiz e o desgaste natural do carro, além do salário do “infeliz” condutor. Eles não sofrem qualquer fiscalização, municipal ou estadual, e podem até mesmo esconder uma ficha criminal, utilizando nomes de laranjas. Enfim, eu nunca colocaria minha família em mãos de quem não conheço,

Também nenhuma autoridade pode fiscalizar quem hoje pratica a pirataria explícita, ou seja, um conhecedor do sistema, que compra um carro particular, e transporta para todos os lados, antigos clientes, a preços abaixo do sistema legal. É a lei da oferta e da procura pelo menor preço.

Numa cidade média como Petrópolis, com 300 mil habitantes, entendo que precisamos discutir os marcos legais (não confundir com imposição!).

O serviço de táxis oferecido à população de Petrópolis ao longo dos anos tem sido de excelência.

Em cada ponto do Centro, temos profissionais com mais de 30 anos de bons serviços prestados ao usuário.

Na sua grande maioria, carros recebem manutenção segura, os motoristas são responsáveis e educados e há também auxiliares comprometidos com a segurança, a ética e a responsabilidade, no trato com os usuários, principalmente com os idosos, crianças e gente humilde.

Gostaria de lembrar que ninguém é dono de ponto. Aliás, como os jornaleiros, todos têm uma autorização precária ou permissão, enquanto o poder regulador, que é a Prefeitura entender que deve ser mantidos.

Quando os permissionários ficam idosos, morreram ou ficaram doentes, é que a permissão dá direito a um auxiliar – alguém que trabalhe com o carro do permissionário. Não é exatamente o que ocorre com a profusão dos chamados rendições, alguns sem qualquer critério de avaliação moral, ética ou criminal.

O trabalho do rendição não tem qualquer proteção jurídica, legal ou moral. Se o detentor da permissão quiser, diz que não quer mais o trabalho do rendição, sem qualquer outro tipo de amparo ao trabalhador. Através dos anos, ninguém quis se meter no sistema, e agora, para felicidade, geral, vemos, não a Prefeitura, que deveria fiscalizar, mas a Justiça, a tomar a dor dos escravizados rendições e dar moral aos bons taxistas.

O juiz Luiz Cláudio Rocha Rodrigues, jovem ainda, é hoje personalidade importante nesse tabuleiro, táxi-Uber-tradição.

A CPTrans, que vem fazendo um excelente trabalho no trânsito, digno de elogios, pode aproveitar a oportunidade e regulamentar o serviço de táxi, com direitos e deveres para todos. Para que o sistema seja confiável e seguro.

Não se deve ter medo do Uber, mas sim de maus profissionais que não respeitam as normas vigentes no país e em nossa cidade.

E mais: hoje também sou um taxista auxiliar, com muito orgulho.