Tribuna de Petrópolis

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Viajar para Tailândia com tudo pago sem ser um golpe de sorte

Por: Diana Bonar
05/06/2017
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Hoje (5) embarquei para Tailândia. Eu nunca planejei visitar esse país. O que eu sempre planejei foi ter uma vida que de alguma forma me permitisse esse movimento pelo mundo. Não pela gana de turismo e de colecionar selfies em lugares incríveis. Não que eu não o faça, mas nunca foi o objetivo final. O que eu busco são experiências que me signifiquem, que me desconstruam e que me resignifiquem. Sempre achei desafiador colocar em palavras qual seria o sentido da existência, e foi quando eu esbarrei com essa frase de Joseph Campell que encontrei nele o que eu sempre quis expressar:

“Dizem que o que todos procuramos é um sentido para a vida. Não penso  que seja assim. Penso que o que estamos procurando é uma experiência de estar vivos, de modo que nossas experiências de vida, no plano puramente físico, tenham ressonância no interior do nosso ser e da nossa realidade mais íntima, de modo que realmente sintamos o enlevo de estar vivos.” (O Poder do Mito - Joseph Campbell) 

 Pois bem, para mim o enlevo de estar viva acontece fora daquilo que chamamos de “zona de conforto” ou “fora da caixa”, o comum demais, por vezes, me entedia. Não gosto de ter opiniões absolutas e irrefutáveis sobre tudo, gosto de ouvir argumentos inteligentes que possam quebrar meus paradigmas tão cuidadosamente construídos ao longo do tempo, e conseguir ver, pela perspectiva do outra, a mesma realidade.

Isso tudo tem a ver com a minha ida para Tailândia. Eu atuo em uma zona de guerra urbana, dentro de um contexto de violência armada no Rio de Janeiro e em outras regiões do Brasil e do mundo. Faço parte de uma organização internacional de prevenção de violência chamada Luta pela Paz. Você sabia que, em alguns casos, mais pessoas morrem vítimas de violência armada do que em zonas de “guerra declarada”?! Pois é....os dados são assustadores e uma política de prevenção faz parte do Acordo de Genebra da ONU. Você pode ler mais sobre o assunto aqui: ArmedViolence. 

Por violência armada podemos quero dizer a guerra entre facções de drogas ou outras organizações que gangues que entram em confronto entre si, ou com a polícia. 

A especialização que vou fazer em Bangkok é em estudo da paz e resolução de conflitos. Eu ganhei uma bolsa de estudos da Fundação Rotária Internacional que paga a passagem, estadia, alimentação e todos os custos com os estudos nessa área durante 3 meses. Essa Fundação acredita que quantos mais indivíduos investirem nesses estudos, maior a probabilidade e possibilidade de haver projetos que foquem no desenvolvimento de iniciativas que visam o entendimento, tolerância e respeito entre os povos. E é por esse motivo que todo ano eles selecionam pessoas no mundo todo e formam uma rede poderosa de interventores da paz pelo mundo. Eu sou a única brasileira de uma turma de 25 pessoas que consta países como Dinamarca, Canada, Kenia, Congo, Argentina, Ukrania, EUA entre outros. Na minha turma tem muitos funcionários da ONU da UNODC, Oficiais de Polícia, Professores Universitários, Diretores de ONGs renomadas e jornalistas. 

Quer saber mais sobre isso? Entre em contato comigo  

Foto da Universidade Chulalongkorn

Essa minha jornada em busca de uma realidade, experiência, mundo, vida mais pacífica foi a responsável por me levar para vários cantos desse país e do mundo que eu jamais havia planejado. Foi essa busca que me apresentou realidades estarrecedoras, pessoas lindas, lugares incríveis, vidas brutais, corações enormes, dores profundas e níveis tão elevados de resiliência humana que refletiram minha pequenez e, ao mesmo tempo, o tamanho das minhas limitações.

Gosto dessa parte da letra da Ana Vilela, Trem da Vida, que tocou a mim e a muitas pessoas, e mais uma vez vi transcrito no outro aquilo que ecoa em mim:

“Não é sobre chegar no topo do mundo

E saber que venceu

É sobre escalar e sentir

Que o caminho te fortaleceu

É sobre ser abrigo

E também ter morada em outros corações

E assim ter amigos contigo

Em todas as situações” Ana Vilela

O objetivo desse Blog é compartilhar minha experiência, estudos e descobertas tanto da vida na Tailândia (ou em outros lugares) e também investigar e compartilhar sobre o tema de resolução de conflitos com os leitores.

Termino deixando vocês com um verso que faz muito sentido nesse meu caminhar


“Se todo medo paralisa, busque o amor”

cantor e compositor Thiago Genthil

Veja mais no Blog da DI.


Esta apresentação reflete a opinião pessoal do autor sobre o tema, podendo não refletir a posição oficial do Jornal Tribuna de Petrópolis.